OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

18/01/2024

1Co 12:1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

· O que são dons espirituais?

"Um dom espiritual é qualquer habilidade que é concedida pelo Espírito Santo e usada em qualquer ministério da igreja". Todos os dons espirituais devem ser autorizados "pelo mesmo espírito" (1Co 12.11), que eles são dados "visando ao bem comum" (1Co 12.7) e que todos eles devem ser usados "para a edificação da igreja" (1Co 14.26).

O dom espiritual é uma dotação ou concessão especial e sobrenatural pelo Espirito Santo, de capacidade divina sobre o crente, para serviço especial na execução dos propósitos divinos para e através da Igreja. "São como que faculdades da Pessoa divina operando no ser humano" (Horton). (Teologia Sistemática Pentecostal, 2008).

Os dons espirituais são meios pelos quais o Espírito revela o poder e a sabedoria de Deus através de instrumentos humanos, que os recebem e bem usam (cf. 1Co 12.7,11).

· O propósito dos dons espirituais na era do NT.

Os dons espirituais são dados para equipar a igreja a fim de que ela desenvolva seu ministério até que Cristo retorne (1Co 1.7).

Os crentes que fazem uso dos dons espirituais devem procurar "crescer naqueles que trazem edificação a igreja" (1Co 14.12).

A diversidade de dons deve conduzir à unidade e à interdependência maiores na igreja (v. 1Co 12.12,13,24,25; Ef 4.13), e essa diversidade na unidade será em si mesma o prenuncio da unidade que os crentes terão no céu.

· Quantos dons há?

Palavra de Sabedoria (1Co 12.8), sabedoria do grego "sophia"

Palavra da Ciência (1Co 12.8)

Fé (1Co 12.9)

Dons de curar (1Co 12.9; 1Co 12.28)

Operação de Maravilhas ou Milagres (1Co 12.10, 1Co 12.28)

Profecia (Rm 12.6; 1Co 12.10)

Discernir os espíritos (1Co 12.10)

Variedade de línguas (1Co 12.10; 12.28)

Interpretação das línguas (1Co 12.10)

Apóstolos (1Co 12.28)

Profetas (1Co 12.28)

Doutores (Mestres, Professores, aquele que ensina) (1Co 12.28; Rm 12.8)

Socorros (1Co 12.28)

Governos (1Co 12.28)

Ministério (Rm 12.7)

Exortar (Rm 12.8)

O que reparte (Rm 12.8)

O que exerce misericórdia (Rm 12.8)

· Temos designadores dos dons.

· "Dons espirituais", (gr. pneumatika, derivado de pneuma, "espírito"). A expressão refere-se às manifestações sobrenaturais concedidas como dons da parte do Espírito Santo, e que operam através dos crentes, para o seu bem comum (vv. 1,7; 14.1).

· "Dons" ou "dons da graça" (gr. charismata, derivado de charis, "graça"), indicam que os dons espirituais envolvem tanto a motivação interior da pessoa, como o poder para desempenhar o ministério referente ao dom (i.e., a capacitação dinâmica) recebido do Espírito Santo. Esses dons fortalecem espiritualmente o corpo de Cristo e aqueles que necessitam de ajuda espiritual (v. 4; ver Rm 12.6; Ef 4.11; 1 Pe 4.10).

· "Ministérios" (gr. diakoniai, derivado de diakonia, "serviço"). Isso mostra que há diferentes tipos de serviço e que certos dons envolvem o recebimento da capacidade e poder de ajudar e assistir o próximo (vv. 4,5,27-31; Ef 4.7,11-13). Paulo indica que o aspecto ministerial dos dons fala do ministério do Senhor Jesus como "servo". Assim, a operação dos dons é definida em termos da presença e da ação de Cristo em nosso meio (cf. v.3; 1.4).

· "Operações" ou "efeitos" (gr. energemata, derivado de energes, "ativo, enérgico"). O termo indica que os dons espirituais são operações diretas do poder de Deus Pai, visando resultados definidos (vv. 6,10).

· "A manifestação do Espírito" (gr. phanerosis, derivado de phaneros, "manifestar") realça o fato de que os dons espirituais são manifestações diretas da operação e da presença do Espírito Santo na congregação (vv. 7-11).

· Classificação dos dons de manifestação do Espírito.

São nove conforme 1Co 12.8-10. São formas de capacitação sobrenatural de pessoas, para a "edificação do corpo de Cristo" como um todo, e também para a bem-aventurança de seus membros, individualmente (vv. 3-5,12,17,26).

· Dons que manifestam o saber de Deus (1Co 12.8-10). Esses dons manifestam a multiforme sabedoria de Deus:

1. A palavra da sabedoria (v. 8), (gr. sophia), representa a sabedoria divina, a capacidade de regular o relacionamento da pessoa com Deus.

2. A palavra da ciência (v. 8). (gr. gnõsis), a um conhecimento cristão mais profundo, à doutrina cristã. "Ciência" quivale aqui a "conhecimento". É um dom de manifestação de conhecimento sobrenatural pelo Espírito Santo; de fatos, de causas, de ensinamentos, etc.

3. Discernir os espíritos (v. 10). (gr. diakrisis), julgar (provar). É um dom de conhecimento e de revelação sobrenatural pelo Espírito Santo. É um dom de proteção divina para não sermos enganados e prejudicados por Satanás e seus demônios (Ap 12.9; 20.8,10; 1Tm 4.1), e também pelos homens (Ef 4.14; 1Jo 2.26; 2Jo 7).

· Dons que manifestam o poder de Deus (1Co 12.9,10). Esses dons manifestam o poder dinâmico e sobrenatural de Deus.

1. A Fé (v. 9). (gr. pistis), capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo, através do qual o crente é levado a exercer a fé de maneira extraordinária. Não se trata aqui da fé no seu sentido dalvífico (Ef 2.8); ou fé como fruto do Espírito (Gl 5.22); ou fé como aspecto puramente espiritual da vida cristã (2Co 13.5). Trata-se da fé chamada "fé especial", "fé miraculosa". Este dom opera em conjunto com vários outros dons.

2. Dons de curar (v. 9). (gr. iama), São dons de manifestação de poder sobrenatural do Espírito Santo para a cura das doenças e enfermidades do corpo, da alma e do espírito, para crentes e descrentes. Esses dons de curas operam de várias maneiras: através da Palavra; através de outro dom; uma palavra de ordem; um olhar; imposição de mãos; etc.

3. A operação de maravilhas (v. 10). (gr. dynamis), um poder miraculoso, como descrição de um milagre em si, obras de poder (Mt 7.22; 11.20-21,23; 13.54,58; 14.2; Mc 6.2,5,14; Lc 10.13; 19.37; At 2.22; 8.13; 1Co 12.10; 2Co 12.12; Gl 3.5; Hb 2.4). São operações de milagres extraordinários, surpreendentes, pasmosos; prodigios espantosos pelo poder de Deus, para despertar e converter incrédulos, céticos, oponentes, crentes duvidos. Leia João 6; At 8.6,13; 19.11; e Josué 10.12-14.

· Dons que manifestam a mensagem de Deus (1Co 12.10). Esses dons manifestam a mensagem da parte de Deus, poderosa, vivificante, criativa, edificante e consoladora.

1. A profecia (v. 10). (gr. propheteia), predição, função profética como o dom espiritual e especial distribuído aos ensinadores da igreja (Rm 12.6; 1Co 13.2,8; 14.22). É um dom de manifestação sobrenatural de mensagem verbal pelo Espírito, para "edificação, exortação e consolação" do povo de Deus (1Co 14.3). É um dom necessário a todos os que ministram a Palavra, que trabalham com a Palavra (cf. Lc 1.2b; 1Tm 5.7). O grau de profecia na igreja hoje não é o mesmo da "profecia da Escritura" (2Pe 1.20), que é infalivel.

A profecia hoje deve ser julgada, pois em parte conhecemos e em parte profetizamos (1Co 13.9), pois a profecia está sujeita a falhas humanas, por parte dos profetas; daí a recomendação bíblica de 1Coríntios 14.29: "E falem dois ou três profetas, e os outros julguem".

2. A variedade de línguas (v. 10). (gr. glõssai), falar em outras línguas vivas, falar em outro tipo de língua, i.e, um milagre línguistico sobrenatural, de êstase espiritual de inspiração, consciente das coisas ao redor e totalmente absorto nesta comunicação em forma de adoração a Deus, no qual a pessoa irrompe em expressões abruptas de louvor e adoração que não são coerentes, e portanto nem sempre inteligíveis aos outros. Nem todos os crentes batizados recebem este dom (1Co 12.30). Já as línguas como evidência física inicial do batismo, todos ao serem batizados no Espirito Santo as falam.

As mensagens em línguas mediante dom, devem ser interpretadas para que a Igreja receba edificação (1Co 14.5,27). O crente portador deste dom, ao falar em línguas perante a congregação, não havendo interprete, deve permanecer somente consigo e com Deus (1Co 14.4,28), isto é, falar em silêncio.

3. Interpretação das línguas (v. 10). (gr. hermēneia), tradução; interpretação. É um dom de manifestação de mensagem verbal, sobrenatural, pelo Espírito Santo. Não se trata de "tradução de línguas", mas "interpretação de línguas". Tradução tem haver com palavras, mas interpretação tem que haver com a mensagem, com o conteúdo. As línguas estranhas como dom espiritual, quando interpretadas, assemelham-se ao dom de profecia. O dom de interpretação é um dom em si mesmo, e não uma duplicação do dom de profecia (cf. 1Co 12.10,30; 14.5,13,26-28).

· Dons de ministérios práticos (Rm 12.6-8).

São administrações e serviços práticos, individuais e em grupo (Rm 12.6-8; 1Co 12.28-30).

Ministério

(Rm 12.7). (gr. diakonos), ministração, servir, prestar serviço material e espiritual, sem primeiramente esperar recompensa, reconhecimento, retribuição ou renumeração, com motivação e capacitação mediante a concessão deste dom. É servir capacitado sobrenaturalmente pelo Espírito.

Ensinar

(Rm 12.7). (gr. didaskõ), ensinar no sentido didático. É o dom espiritual de ensiar tanto na teoria como na prática; ensinar fazendo, ensinar a fazer; ensinar a entender; treinar outros.

Exortar

(Rm 12.8). (gr. parakaleõ), Exortar, aqui, é como dom: ajudar, assistir, encorajar, animar, consolar, unir pessoas desunidas, que não se falam; admoestar.

Repartir

(Rm 12.8). (gr. metadidõmi), entregar, i.e., compartilhar. O sentido no original é dar generosamente, doar, oferecer, distribuir aos necessitados em primeiramente esperar recompensa ou reconhecimento, movido pelo Espírito Santo. Este dom ocupa-se da benevolência, beneficência, humanitarismo, filantropia, altruísmo.

Presidir

(Rm 12.8). (gr. proistēmi), É conduzir, dirigir, organizar, liderar, governar, orientar com segurança, conhecimento, sabedoria e discernimento espiritual. Isso em se tratando de igreja, congregação, instituição, etc. Para alguém presidir desta maneira, só mesmo tendo de Deus este dom! A tendência natural de quem lidera e preside e ser duro, dominar somente pela autoridade, ser insensível.

Exercitar misericórdia

(Rm 12.8). (gr. eleeõ), uma referência àqueles que estavam encarregados de dar assistência aos pobres. Este dom refere-se a assistência aos sofredores, necessitados, carentes; fracos, enfermos, presos, visitação, compaixão.

Socorros

(1Co 12.28). (gr. antilēpsis), Literalmente "achegar-se para socorrer". E o caso de enfermos, exaustos, famintos, órfãos, viúvas, etc. E um dom de ação plural.

Governos

(1Co 12.28). (gr. kybernēsis), é um dom plural no seu exercício. E dirigir, guiar e conduzir com segurança e destreza. O termo original sugere pilotar uma embarcação com segurança, destreza e responsabilidade.

· Alvos e resultados dos dons espirituais.

De acordo com 1Coríntios 12.7, "a manifestação do Espirito e dada a cada um para o que for útil". Vejamos quais são os alvos e resultados dos dons espirituais:

· A glorificação do Senhor Jesus em escala muito além do natural e humana (Jo 16.14).

· A confirmação da Palavra de Deus anunciada, pregada e ensinada (Mc 16.17-20; Hb 2.3,4).

· O crescimento constante e real, em quantidade e qualidade, da obra de Deus na igreja, na evangelização e nas missões (At 6.7; 19.20; 9.31; Rm 15.19)

· A "edificação" espiritual da igreja de Deus como um corpo e como membros individualmente (1Co 12.12-27). Jesus afirmou: "Eu edificarei a minha igreja" (Mc 16.18), mas na ocasião Ele não disse como ia edificar. Mas em Atos e nas Epistolas vemos que e em parte através desses dons divinos de que estamos a tratar.

· O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Isso jamais e possível por parte do homem, ou das coisas desta vida, mas e possível para Deus (cf. Lc 18.27).

· Responsabilidade quanto aos dons.

É preciso haver responsabilidade quanto aos dons, a fim de que não haja mau uso deles.

· Conhecer os dons. "Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes" (1Co 12.1).

· Buscar os dons. "Procurai com zelo os melhores dons" (1Co 12.31).

· Zelar pelos dons. "Procurai com zelo os dos espirituais" (1Co 14.1).

· Ser abundante nos dons. "Procurai progredir neles, para a edificação da igreja" (1Co 14.12, ARA).

· Ter autodisciplina nos dons. "E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas" (1Co 14.32).

· Ter decência e ordem no exercício dos dons. "Mas faça-se tudo decentemente e com ordem" (1Co 14.40).

Bibliografia

BEPC. (2011). Bíblia de Estudo Palavras Chave - Hebraico e Grego (ARC - 4ª ed.). Rio de Janeiro: CPAD.

BERGSTÉM, E. (2011). Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD.

Teologia Sistemática Pentecostal. (2008). Rio de Janeiro: CPAD.

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